Um trabalhador da construção civil morreu depois de um acidente na tarde desta quinta-feira (10) na avenida Garibaldi. Silvano dos Santos, 41 anos, caiu em um fosso de elevador e ficou preso nos ferros. Socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), ele não resistiu aos graves ferimentos e morreu.
Segundo o sindicato da categoria (Sintracom), o operário era ajudante prático de carpineiro e trabalhava para a empreiteira Monfort, teceirizada da empresa MV. Ele trabalhava no canteiro de obras do condomínio Celebrate Garibaldi. Segundo o diretor de saúde do Sintracom Arielson Ferreira, Santos estava trabalhando no nível do chão – a obra está começando e ainda não tem laje – quando se desequilibrou e caiu em um fosso cavado para o elevador. “Cavaram um buraco no fundo para o elevador, fica uns ferros lá, que eram para estar isolados, mas não estavam. Foi uma queda de 1 metro e meio mais ou menos”, diz.
Representantes do Sintracom estiveram no canteiro, onde trabalhavam cerca de 100 operários. Uma solicitação será encaminhada para a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). “Está embargada, amanhã vai continuar embargada. Aquela obra ali ainda tem locais de risco que ameaçam a vida dos trabalhadores. Nós mesmos estamos embargando a obra até ser feita a perícia do acidente, precisa ser dado um embasamento para os trabalhadores. Está no começo da obra e já aconteceu esse acidente”, diz Ferreira.
Silvano é natural de Maragogipe, mas vivia em Itinga. Não há informações sobre seu sepultamento.
O Sintracom informa que em 2011 foram 99 acidentes de trabalho com 18 mortes. Em 2012, foram 99 acidentes com 18 mortes. Ainda não há dados sobre 2013.
A empresa responsável pela obra não foi encontrada para comentar o caso.
A construção civil e o comércio varejista foram incluídos na lista de setores que tiveram a desoneração das folhas de pagamento autorizada por medida provisória do governo. Editada no final de dezembro passado, a MP 601/2012 aguarda leitura no Congresso e a instalação de uma comissão mista para fazer sua análise inicial, após o recesso legislativo. Em busca de incentivar investimentos produtivos e e dinamizar o nível de atividade nesses setores, fortalecendo a economia do país, a medida também beneficia as empresas de exportação.
No caso do setor de construção civil, a base de contribuição previdenciária da folha salarial é substituída por contribuição de 2% sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. De acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, o setor de construção civil é responsável pela geração de 7,7 milhões de empregos diretos e indiretos. A receita bruta desse setor estimada para 2013, segundo o governo, é de R$ 171,6 bilhões e a massa salarial representa R$ 31,4 bilhões.
Para estimular o setor, a medida propõe ainda a redução de 6% para 4% do percentual da alíquota correspondente ao pagamento mensal unificado de impostos e contribuições de incorporações imobiliárias submetidas ao Regime Especial de Tributação – RET, de que trata a Lei 10.931/2004. O governo acredita que a MP também vai estimular a construção de novas moradias e fomentar novos financiamentos, fazendo crescer a economia.
Após um longo período de desenvolvimento puxado pelo consumo, o Brasil entra 2013 com a intenção de iniciar um ciclo de expansão a partir do investimento. Essa situação vai impactar diretamente na construção civil, um dos setores que mais se aqueceu nos últimos anos. O segmento projeta um crescimento moderado, mas vê, nos pacotes de concessões de ferrovias, hidrovias e rodovias, anunciados em 2012 pela presidente Dilma Rousseff, uma ótima oportunidade a ser desbravada.
“Está muito claro que, daqui para frente, o Brasil não vai ter um crescimento sustentável se não for à base de investimento. Esses pacotes de concessões na parte de infraestrutura devem trazer situações interessantes para a construção civil. O setor começa um novo ciclo a partir de 2013”, destaca o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. O dirigente projeta uma expansão de 4% na atividade, frente um acréscimo de 2,5% em 2012.
Mesmo assim, os desafios do setor a serem equacionados continuarão sendo velhos conhecidos, como a burocracia e a informalidade nos canteiros de obras. Por isso, Martins saúda o benefício da desoneração de folha, anunciado em dezembro passado pelo Ministério da Fazenda. “Temos um problema muito sério com a informalidade. No momento em que você desonera a folha e onera o faturamento, você estimula a formalização. Mas ainda precisamos ver na prática se o benefício vai se traduzir em redução de custos.”
Outro ponto que deve continuar ganhando atenção é a capacitação de mão de obra. Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP) de outubro de 2012, o Brasil atingiu a marca de 3,4 milhões de trabalhadores da atividade com carteira assinada, sendo 478 mil na região Sul. Em 2005, esse contingente não passava de 1,5 milhão. Neste sentido, o vice-presidente da CBIC diz que a saída para capacitar pessoal e ganhar em produtividade é investir em tecnologia nos canteiros.
No Rio Grande do Sul, o cenário previsto para 2013 segue o ritmo brasileiro. O Sinduscon gaúcho prevê expansão de 3% a 4%, se assemelhando a 2012. “Estamos em um período de estabilização, andando em velocidade de cruzeiro”, compara Paulo Garcia, presidente do sindicato. O dirigente também projeta uma ascensão moderada em relação à quantidade de trabalhadores formais no setor, que hoje agrega 145 mil pessoas.
Além disso, a construção civil gaúcha terá dois cenários distintos em relação ao lançamento de novos empreendimentos. Se em Porto Alegre a tendência é de menor movimentação, as cidades distantes da Capital e a região metropolitana apresentarão ritmo acelerado. “Temos cidades do Interior, como Rio Grande, Pelotas e São José do Norte, que vão crescer fora da curva, bem acima de Porto Alegre. Há também o Litoral Norte, que se tornou um canteiro a céu aberto”, constata Garcia.
Conforme a Serasa Experian, a inadimplência dos brasileiros aumentou 15,1% de janeiro a novembro de 2012 frente a igual período de 2011. No entanto, a construção civil não tem sido atingida por essa situação, na opinião do presidente da Nex Group, Carlos Alberto Schettert. “A nossa inadimplência média era de 4% em anos anteriores e hoje é de 2%. O brasileiro pode até atrasar suas contas, mas da sua casa ele não atrasa o pagamento. Por isso, não temos problemas com inadimplência”, sinaliza o executivo da incorporadora que agrega Capa, DHZ, EGL e Lomando Aita.
Até o final de outubro de 2012, foram construídos 237.175,37 metros quadrados em edificações no município
Edifícios crescem na paisagem central da cidade, com edificações de alto padrão. Nos bairros, são os sobrados e prédios menores
O setor da construção civil está crescendo em Guarapuava. É o que mostra balanço preliminar divulgado pela Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo, através do Setor de Alvarás. Até o final de outubro de 2012, foram construídos 237.175,37 metros quadrados em edificações no município, quantidade 42,5% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.
De janeiro a outubro de 2011, foram erguidos em Guarapuava 166.415,9 metros quadrados em edificações. No mesmo período de 2012, houve a concessão de 659 alvarás para construções iniciadas. Foram permitidos também outros 619 alvarás para obras concluídas e vistoriadas até 23 de novembro deste ano.
Para o delegado regional do Creci-PR (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná) e empresário do setor imobiliário, José Losso, os números demonstram que Guarapuava está inserida em um fenômeno nacional de estímulo à construção civil. “Estamos experimentando um crescimento espetacular no mercado imobiliário brasileiro nos últimos anos. E, em nossa cidade, isso não é diferente”, constata. “É o quarto ou quinto ano em que se supera o período anterior em área construída”, acrescenta.
O fenômeno é estimulado pela abertura de crédito experimentada ao longo do período e pelo aumento de prazos de financiamento, despertando o interesse de pessoas que possuíam um determinado capital para investimento. “Só em 2012, no Brasil, são mais de R$ 200 bilhões disponibilizados ao mercado imobiliário. Isso desencadeou a corrida para realizar o sonho da casa própria”, comenta Losso.
O gerente comercial de uma construtora da cidade, Paulo Antonete, também acredita no setor habitacional como um dos propulsores do crescimento identificado no município. “O crédito pleiteado pelo programa Minha Casa, Minha Vida é o motor de viabilização desse crescimento. Posso dizer que 98% das vendas em nosso departamento comercial são procuras pelo financiamento”, revela. “Temos imóveis para venda direta, que não se enquadram no programa, com um subsídio bom. Mas não temos tanto resultado comercial quanto pelo Minha Casa, Minha Vida”, acrescenta.
Divulgada no DOU, a medida provisória valerá a partir de 1º de abril deste ano até 31 de dezembro de 2014
A partir de 1º de abril de 2013, algumas empresas do setor de construção civil e do comércio varejista serão integradas na desoneração da folha de pagamento.
Entre as empresas do setor de construção civil participantes, a contribuição será com alíquota de 2% sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos concedidos, em substituição às contribuições previdenciárias de 20% sobre o total da folha de pagamento de empregados, avulsos e contribuintes individuais.
A partir da mesma data, contribuirão com a alíquota de 1% sobre a mesma base de cálculo e em substituição às mesmas contribuições alguns setores do comércio varejista, como de livros, jornais, revistas, especializados em equipamentos e suprimentos de informática.
Medida provisória
A medida provisória, divulgada pelo DOU (Diário Oficial da União), valerá até 31 de dezembro de 2014. As empresas do setor da construção civil que foram integradas na desoneração pertencem aos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) 2.0.
Por lei, toda obra de médio ou grande porte exige estudo histórico do solo.
Para professor da USP, qualidade científica de estudos precisa melhorar.
Enquanto cientistas de vários ramos sentem dificuldade para captar recursos no Brasil, a arqueologia aproveita o grande número de obras para aumentar o número de pesquisas na área. Por lei, toda obra de médio ou grande porte deve fazer uma avaliação arqueológica do terreno, o que cria oportunidades para a ciência.
“Eu comparo o nosso mercado com o da engenharia civil”, apontou Sérgio Bruno Almeida, arqueólogo que é sócio da Fronteiras, uma empresa goiana que trabalha com pesquisas em sítios de construções. “Como o país está com muitas construções, o mercado fica mais próspero”, concluiu Almeida.
Prato de cerâmica indígena encontrado durante as obras de um gasoduto em Coari (AM) (Foto: Eduardo Tamanaha/Divulgação)
A determinação de que todo canteiro de obras deveria passar pela análise de um arqueólogo veio em 2002, com uma portaria publicada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em 1991, o Iphan liberou apenas seis pesquisas arqueológicas no país. Em 2011, foram 1018 pesquisas liberadas. “Foi um crescimento exponencial da arqueologia”, definiu Eduardo Neves, professor de arqueologia na Universidade de São Paulo (USP).
Foi a partir dessa nova norma que o mercado da arqueologia começou a se expandir – e tendência ainda é de crescimento. A arqueóloga Lucia Juliani largou sua carreira como funcionária pública e abriu A Lasca, uma empresa que conduz pesquisas arqueológicas para obras em São Paulo.
Lucia e sua equipe têm feito descobertas interessantes na região de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Os estudos da região revelam detalhes do estilo de vida dos habitantes da região no fim do século 19 e no início do século 20.
“A gente encontra restos das lixeiras”, contou a especialista. “Isso é muito importante para a arqueologia porque conta dos hábitos de consumo das populações da época”, completou.
Pesquisas conduzidas no Largo da Batata, na mesma região, indicam que o local tenha sido usado como um depósito de lixo durante o período em que São Paulo se expandia para essa área.
Também foram encontrados fundamentos de casas com estruturas de palafitas. Na época, o Rio Pinheiros chegava até ali durante as cheias. Ao longo do século 20, boa parte do rio foi aterrada na região, que hoje é ocupada por bairros nobres.
Segundo ela, além do lixo, louças e vidro são os materiais mais encontrados entre os vestígios das casas antigas. Recentemente, em uma pesquisa em um canteiro de obras no bairro do Itaim Bibi, um objeto em especial chamou a atenção. “Achamos um anel de rubi, que é um achado raro, porque ninguém joga uma joia fora”, destacou.
Anel de rubi encontrado em obras em São Paulo (Foto: A Lasca/Divulgação)
Do lado das construtoras, os estudos são vistos como uma forma de interagir com a comunidade, pois contam a história do bairro. No entanto, do ponto de vista dos negócios, é um fator que exige planejamento.
“Tudo isso levou mais de um ano”, ponderou Deise Poli, diretora de desenvolvimento da Tishman-Speyer, construtora responsável pela obra onde o anel foi encontrado. “É um dado a mais que deve ser incluso no cronograma de obras”.
‘Isso tem vários lados’
A expansão do mercado é motivo de comemoração para os arqueólogos, mas há ressalvas. “Isso tem vários lados. Na prática, cria um monte de problemas”, avaliou Eduardo Neves, professor da USP. “É como uma doença do crescimento de um adolescente”, comparou.
Segundo ele, as pesquisas conduzidas pelas universidades ainda têm maior impacto científico. Em sua avaliação, a grande demanda impede que as empresas de arqueologia dediquem tempo para análises. O trabalho, então, resulta em relatórios que vão para o Iphan, mas que não se tornam referência.
“Tem um desafio importante que é transformar esse mundaréu de dinheiro em conhecimento sobre o passado. Isso a gente não conseguiu fazer ainda”, apontou Neves.
O próprio professor também conduz pesquisas em locais preparados para a realização de obras. Recentemente, durante a construção de um gasoduto da Petrobras no Amazonas, a equipe de Neves identificou 43 sítios arqueológicos. A pesquisa revelou objetos – produtos em cerâmica, entre outros – que forneceram informações sobre a cultura de tribos indígenas de antes do período colonial.
Pesquisas do Gasoduto Coari/Manaus, em Anamã (AM); as bandeiras amarelas marcam objetos considerados importantes pelos arqueólogos (Foto: Eduardo Tamanaha/Divulgação)
“Para a pesquisa acadêmica foi um grande avanço, pois os arqueólogos conseguiram chegar onde a logística não é nada fácil e o acesso só é possível através dos rios”, afirmou Eduardo Tamanaha, pesquisador que fez parte da equipe de Neves.
No entanto, toda a riqueza dos materiais encontrados no local está ameaçada, segundo o líder do estudo, porque falta um projeto para destinar o que foi coletado. “O material desse projeto está guardado de forma precária na Universidade Federal do Amazonas de forma precária, e ainda não encontramos um lugar para colocar isso”, lamentou Eduardo Neves.
O exemplo serve para ilustrar um risco que a construção civil oferece à arqueologia. “Essas obras estão gerando um impacto sobre o patrimônio, porque estão destruindo os sítios. O que é destruído vai embora para sempre”, lembrou.
A partir daí, Neves ressaltou que o país precisa regulamentar a profissão, de forma a garantir a qualidade das pesquisas feitas antes das obras. “A gente não sabe quantos arqueólogos o país tem hoje”, alertou o pesquisador.
Os sócios Miguel Pierre e Sidney Bezerra atuavam há 10 anos no ramo de educação, quando tiveram dificuldades para achar profissionais do ramo da construção em Taguatinga, no Distrito Federal. Assim, surgiu a ideia de aliar a expertise na educação com a construção civil, criando a Concretta – rede de franquias de cursos profissionalizantes na área
Miguel Pierre e Sidney Bezerra trabalhavam há 10 anos no ramo de educação, nas áreas da saúde e informática, quando tiveram dificuldades para achar profissionais do ramo para a construção de escola da saúde em Taguatinga, no Distrito Federal. Desse modo, surgiu a ideia de aliar a expertise na educação com a construção civil, criando a Concretta – rede de franquias de cursos profissionalizantes na área.
Formado em Administração de Empresas, Miguel conta que foram contratadas duas consultorias para fazer pesquisas de mercado em 209 municípios. O resultado indicou que a escassez de mão de obra está espalhada por todo o Brasil, como explica Sidney Bezerra, formado em Engenharia Elétrica e um dos sócios da Concretta. “Tanto a iniciativa pública como a privada têm gerado umboom no setor”.
Cursos
Ao todo são sete cursos – Pedreiro Revestidor, Instalações Elétricas, Instalações Hidráulicas, Instalador de Painéis Cartonados (dry wall), Pintor Predial/Residencial, Armador Civil e Carpinteiro. Nas aulas, o profissional aprende também como se portar em uma visita, como falar, quais roupas usar, a importância da organização em uma lista adequada de orçamento, entre outros.
As aulas podem ser aplicadas na própria escola ou in loco e são divididas entre práticas e teóricas, ministradas por um profissional do ramo contratado pelo franqueado. “Na maioria das vezes, o profissional não tem experiência com aulas. Por isso, a Concretta oferece um cursinho de oito horas para ensiná-lo a transferir oknow-how“, conta Miguel.
O investimento é padrão – 12 parcelas de R$ 149 – e tem a duração de 9 meses. ¿É um curso para que esse tipo de profissional que trabalha bastante não fique sobrecarregado¿, conta Sidney. As construtoras também podem fechar contratos e negociar a duração do curso, além da facilidade de terem aulas no canteiro de obras. “A qualidade é idêntica. O que muda é o lugar e se é intensivo ou não”, explica Sidney.
Modelo e expectativa
Para tornar possível a capilarização pelo País, os sócios optaram por áreas pequenas, de 100 m² a 150m² e também firmaram parcerias com grandes marcas, como Tigre, Deca e Lorenzetti. As marcas subsidiam e chancelam o material didático. Sidney afirma que a inovação não será deixada de lado. “Serão lançados novos cursos de acordo com a necessidade do mercado.”
Hoje, a Concretta conta com 550 alunos na escola-piloto, que fica em Brasília, e que também funciona como centro de treinamento para o franqueado. Para Sidney, o local é estratégico. “O escritório fica em Brasília, pois a capital funciona como um hub“, diz.
A previsão de faturamento neste primeiro ano de vida da franquia é de R$ 6 milhões, subindo para R$ 35 milhões em 2013. A previsão é de que 2012 encerre com 30 franquias ao todo. Para o próximo ano, essa projeção sobe para 100 unidades.
Os sócios se mostram confiantes. “É o momento certo. A demanda está muito forte e pode perdurar por pelo menos 10 anos, porque o Brasil não tem nada. O básico, como rodovias e aeroportos, estão começando a sair do papel. Projetos governamentais como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Minha Casa Minha Vida, estádios entre outros, precisam da iniciativa privada para cobrir a lacuna de qualificação e suprir a demanda”, avalia.
Franqueado
Os interessados devem entrar no site da franquia e preencher a ficha que será enviada para o departamento de expansão – que avalia o perfil do possível franqueado. Se for aprovado pelo escritório em Brasília, o setor de operações irá buscar o ponto ideal, ajudará na formatação do ponto, indicará fornecedores e oferecerá treinamento, que dura de cinco a sete dias.
O franqueado Vilson Martins, de Salvador, era executivo quando decidiu abrir um negócio próprio. “Estava procurando um modelo de franquia. Ao pesquisar no site da Associação Brasileira de Franchising (ABF), a proposta da Concretta me ganhou por ser uma novidade e pela experiência dos sócios.”
Ao ver a escassez de pessoas capacitadas em sua cidade, decidiu investir. Ele ainda pretende abrir duas escolas no primeiro ano e mais três no segundo ano. “A franquia deve abrir em dezembro e já tenho contrato fechado para aulas in loco com uma grande construtora para uma turma de 120 alunos”, revela.
Concretta em números Setor: cursos profissionalizantes Resumo do negócio: Oferta de cursos para o setor de construção civil Número de unidades: 11 Unidades próprias: 1 Unidades franqueadas: 10 Faturamento mensal médio: R$ 55 mil a R$110 mil Taxa de franquia: R$ 60 mil Taxa de propaganda: 2% BR> Taxa de royalties: 8% Capital para instalação: R$ 150 mil a R$ 250 mil Capital de giro: R$ 30 mil Prazo de retorno estimado: 18 a 24 meses Principais concorrentes: Instituto da Construção e Senac.
Nos últimos dois anos já foram 6.985 acidentes com 34 mortes.
Segundo dados, a maior causa é a falta de equipamentos de segurança.
O número de acidentes com trabalhadores da construção civil no Piauí em 2012 já superou os registrados no ano passado, segundo dados da Superintendência Regional do Trabalho no Piauí. Segundo o relatório, a falta de equipamentos de segurança está entre as principais causas dos acidentes.
De acordo com dados, em 2011 foram registrados 3.485 acidentes em todo o estado, com 25 mortes.,Neste ano, já foram quase 3.500 acidentes com nove mortes.
O caso mais recente de acidente de trabalho com óbito aconteceu no município de Parnaíba, na região Norte do estado. O operário Edmar de Sousa Pinheiro, de 49 anos, morreu após cair de um andaime de um prédio em construção.
Segundo o Corpo de Bombeiros da cidade, o homem teria sofrido uma descarga elétrica antes da queda e estava sem os equipamentos de proteção.
Para o auditor da fiscal do Ministério Público, Francisco Luis, casos como esses demonstram a falta de compromisso das empresas de construção civil. “Diariamente encontramos trabalhadores sem equipamentos e sem treinamento adequado exercendo determinadas atividades”, disse.
Para o presidente dos Sindicatos dos Trabalhadores da Construção Civil no Piauí, Francisco Osvaldo, a empresa tem por obrigação preservar a integridade física do trabalhador. “Para isso elas tem que fornecer os equipamentos de segurança e também orientar o trabalhador a como usar o equipamento de forma devida”, ressalta.
Já de acordo com o especialista em segurança do trabalho, Hercules Medeiros, para evitar acidentes é necessário que as empresas sigam um conjunto de regras que consistem na distribuição de equipamentos de segurança fundamentais.
“Temos os Equipamentos de Proteção Coletiva (os EPC), como a bandeja, guarda-corpo, as telas de proteção, e os Equipamentos de Proteção Individual (os EPI), esses tem que ser fornecidos pela empresas e devem ter a certificação do Inmetro”, informou.
Ainda segundo o especialista, a maioria dos acidentes tem acontecido com trabalhadores em altura. “A lei trabalhista diz que os trabalhadores que estiveram exercendo suas profissões acima de dois metros de altura devem utilizar sinto de proteção e ter passado por treinamento adequado feito através de cursos técnicos ou pelo Corpo de Bombeiros”, afirma.
Mestre de obras há 30 anos, Raimundo Oliveira, diz que nunca foi vítima de acidente de trabalho e que presa pela segurança dos colegas de trabalho. “Ao receber um serviço a primeira coisa que faço é uma reunião com os colegas para alertá-los sobre o modo como trabalho e a importância da segurança de todos”, disse.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta terça-feira novas medidas de estímulo à construção civil com o objetivo de incentivar as vendas do setor. São quatro medidas, sendo a primeira a desoneração da folha de pagamento, conforme já havia antecipado a Agência Estado. As empresas do setor vão deixar de pagar 20% de INSS e passarão a pagar 2% sobre o faturamento. “O setor não pagará mais INSS por um longo período”, disse o ministro, que aproveitou a cerimônia de entrega da casa de número 1 milhão do Minha Casa Minha Vida para fazer o anúncio.
Segundo Mantega, o setor vai pagar R$ 2,850 bilhões a menos de tributos com a medida. De acordo com os cálculos do ministério, a construção civil pagaria, em 2013, R$ 6,280 bilhões se fosse mantida a contribuição de 20% do INSS. Com a nova medida, as empresas pagarão R$ 3,430 bilhões no próximo ano.
Além disso, Mantega anunciou a redução do Regime Especial de Tributação (RET) de 6% para 4% sobre o faturamento. Foi ampliado o limite do “RET Social”, para habitações sociais, que passarão a pagar, agora, alíquota de 1% sobre o faturamento.
O ministro anunciou também a criação de uma linha de capital de giro da Caixa Econômica Federal para o período da construção. O objetivo, segundo Mantega, é o de “disponibilizar, para a construção civil, capital de giro com preços e prazos competitivos, concessão rápida e utilização ágil, simplificada e automatizada”. Ele ressaltou que a linha é voltada para micro, pequenas e médias empresas, com faturamento anual de até R$ 50 milhões. A nova linha terá recursos totais de R$ 2 bilhões para empréstimos.
Mantega ressaltou que “baratear custo de mão de obra na construção civil estimula mais emprego e mais formalização”. “As medidas vão reduzir custo da produção, portanto, diminuirão custo das moradias”, destacou.
Os operários do canteiro de obras da MRV Engenharia foram os primeiros beneficiados com o Projeto
Pelo menos 490 operários do canteiro de obras da MRV Engenharia no Bairro Pioneiros, em Campo Grande (MS), receberam, neste sábado (01), informações importantes sobre segurança no trabalho e redução do desperdício de materiais de construção durante o lançamento do Projeto Arte no Canteiro, desenvolvido pelo Sesi e que tem como meta atender mais de 8 mil trabalhadores em todo o Estado com mais de 80 apresentações teatrais do Grupo XPTO, de São Paulo (SP). Na prática, o Projeto busca sensibilizar os trabalhadores das indústrias da construção civil por meio de apresentações teatrais nos canteiros, destacando a prevenção aos acidentes de trabalho, o combate ao alcoolismo, o uso racional da água e de energia elétrica e a limpeza dos canteiros de obras.
Segundo o superintendente do Sesi, Michael Gorski, por meio das apresentações, será possível conscientizar os trabalhadores sobre o uso de equipamentos de segurança e assim contribuir com a redução do alto índice de acidentes de trabalho na construção civil do Estado. “A nossa intenção, em parceria com o TRT/MS (Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul), é levar o Arte no Canteiro ao maior número possível de obras, pois a linguagem utilizada pelos artistas para conscientizar os operários é de fácil assimilação e, muitas vezes, dá mais resultado que as palestras sobre segurança no trabalho disponibilizadas pelas construtoras”, pontuou.
Já o desembargador do trabalho Francisco das Chagas Lima Filho, que assume a presidência do TRT/MS na próxima semana, ressaltou que o Arte no Canteiro vem para somar à campanha de trabalho seguro desenvolvida pela Justiça do Trabalho em todo o País. “Com essa contribuição do Sistema Fiems, por meio do Sesi, esperamos conseguir substituir a cultura da indenização pela cultura da prevenção aos acidentes de trabalho. Nós, da Justiça do Trabalho, entendemos que, somente dessa forma, estaremos contribuindo para salvar e preservar as vidas dos trabalhadores da construção civil”, declarou.
O presidente do Sinduscon/MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção Civil de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo, reforçou que o Projeto ensina de forma lúdica um assunto de extrema importância para os trabalhadores da construção: o uso dos equipamentos individuais de segurança. “As empresas de construção civil já desenvolvem ações de conscientização dos seus trabalhadores, mas, todo e qualquer trabalho nesse sentido, é bem-vindo. Com a redução dos índices de acidentes de trabalho no segmento, todos ganham, desde e o trabalhador e seus familiares até as empresas e o própria saúde pública”, ponderou.
Assim também pensa o presidente do Sintracom/MS (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado), José Abelha Neto. “Essa iniciativa do Sesi é espetacular, pois ajuda a conscientizar os trabalhadores de uma forma bem agradável”, disse. Na opinião do supervisor de obras da MRV, Leonardo da Costa, toda e qualquer ação que visa a conscientização dos operários na questão de segurança no trabalho é bem recebida pela empresa. “Essas apresentações ajudaram a direcionar os nossos trabalhadores para o caminho certo a ser seguido”, disse.
Operários
Com uma estrutura diferenciada, que inclui palco montado com andaimes e guindaste de construção, o Projeto conseguiu atingir, na sua primeira apresentação, o objetivo de educar e conscientizar os trabalhadores de uma forma lúdica e descontraída. Na avaliação do operário João da Silva, 60 anos, os personagens e a forma como os atores falaram do uso dos equipamentos de proteção individuais ajudou a sensibilizar os colegas. “Foi muito interessante essa apresentação. Muitas das coisas que eles falaram a gente já sabia, mas não dava muita atenção. Agora, acho que isso vai mudar”, garantiu.
O operário Raimundo Barbosa Costa, 53 anos, acrescenta que os colegas que têm uma certa resistência em utilizar capacetes, botas e luvas vão pensar duas vezes antes de recusarem os equipamentos de proteção. “É muito importante esse trabalho, pois tem muita gente que usa com o maior sacrifício”, ressaltou. O operário Jonathan Atagiba da Costa, 25 anos, também gostou da iniciativa do Sesi e considerou que a apresentação ajudou bastante na conscientização de todos. “Muitos tiveram a chance de perceber que acidentes graves não acontecem só na rua, dentro do canteiro de obras também estamos correndo risco e devemos tomar muito cuidado”, alertou.
A produtora cultural do Arte no Canteiro em Mato Grosso do Sul, Andréia Freire, ressaltou que o Projeto vai chegar a todos os canteiros de obras do Estado e assim contribuir para reduzir o número de acidentes de trabalho. “É a arte levando noção de saúde e segurança do trabalho até os operários da construção civil. É a arte como instrumento transformador da vida das pessoas”, avaliou, acrescentando que o uso de guindastes para transportar os atores suspensos por cabos de aço encanta a plateia. “Além disso, as apresentações têm uma linguagem musical para elucidar as orientações sobre o uso de equipamentos de segurança”, detalhou.
Com duração de 40 minutos, a apresentação conta ainda com equipamentos de trabalho que ganham vida e se tornam os personagens da história. A peça apresenta três personagens principais: a “Pedrita Brito”, a “Pá Tricia” e o “Carrinho”. Outros personagens também fazem parte da encenação, como as luvas, os capacetes, as botas, os óculos de proteção, os cintos de segurança, as furadeiras, as britadeiras, as pás, os caixotes e os tonéis.